Pelo menos 12 fabricantes de automóveis emitiram recall nesta última sexta-feira (21) para aproximadamente 4,3 milhões de carros na China por segurança em relação às maçanetas ocultas. O movimento se tornou o maior chamamento de veículos daquele país, segundo sites locais.
Os comunicados de recall estão presentes no site da Administração Estatal de Regulação de Mercado (SAMR) aos quais QUATRO RODAS teve acesso. Tesla foi a que teve mais unidades envolvidas anunciadas, com cerca de 3 milhões. Apenas do Model Y foram 1.956.713 unidades, cuja produção ocorreu entre 16 de novembro de 2020 e 30 de abril de 2026.

“Os veículos incluídos neste recall possuem maçanetas mecânicas de emergência [internas] que são difíceis de identificar e operar, pois sua cor é semelhante à do acabamento interno. Em situações extremas, como uma colisão grave que cause falha no sistema de baixa tensão do veículo, isso pode impedir que os ocupantes abram as portas rapidamente para escapar e dificultar os esforços de resgate de pessoas fora do veículo, representando um risco à segurança”, afirmou a montadora.
A Tesla promete afixar etiquetas de advertência gratuitamente nos veículos abrangidos pelo recall e irá atualizar o software de controle dos vidros por meio da tecnologia de nuvem (over-the-air) para adicionar um abaixamento automático dos vidros após um acidente. As demais marcas vão adotar práticas semelhantes.
Veja abaixo os modelos e marcas afetadas:
- Tesla: 2.975.910 unidades dos modelos Model 3 e Model Y fabricados na China, sendo 46.041 unidades de modelos importados Model 3, Model X e Model S;
- Xiaomi: 390.435 unidades do SU7 do ano de 2024;
- Leapmotor: 371.200 unidades do C01 e do C11;
- Xpeng: 264.842 unidades dos modelos G6, P7+ e X9;
- Zeekr: 92.658 unidades do 007 e do X;
- Lynk & Co: 74.037 unidades dos modelos 900 e 08 e dos sedãs 10 EM-P e 07;
- Chery: 64.488 unidades dos modelos iCaur 03 e Chery Fulwin X3;
- Dongfeng: 53.452 unidades do Nammi 06, do Aeolus L8, do eπ 007 e do eπ 008;
- BAIC: 46.850 unidades da minivan Arcfox Kaola;
- Geely: 18.878 unidades do Galaxy M9.
- FAW Hongqi: 11.908 unidades dos modelos EH7 e Tiangong 08;
- Genesis: 9 unidades do sedã G80 importado.
China vai banir as maçanetas retráteis
As autoridades chinesas vão banir as maçanetas retráteis a partir de 2027. Os veículos já aprovados e próximos do lançamento terão até 2029 para se adequarem as novas regras.
A decisão foi motivada especialmente após dois acidentes com veículos elétricos da Xiaomi. As colisões resultaram em incêndios e os socorristas não conseguiram abrir as portas eletrônicas dos veículos a tempo.

As novas regras são bem específicas. As maçanetas externas devem ter um rebaixo para as mãos e dimensões mínimas de 60 mm por 20 mm, o que garante a possibilidade de socorristas segurá-las e puxá-las. Há mudanças para o interior do veículo, que deverá ter sinalização visível de como abrir a porta em caso de emergência.
As maçanetas internas e externas devem ser instaladas em posições definidas. Além disso, segundo as novas diretrizes, não podem depender exclusivamente de sistemas alimentados eletronicamente, mesmo em casos de baterias reserva ou cabos de acionamento mecânico.
A estimativa da imprensa chinesa é de que 60% dos carros atuais serão afetados com a medida. Apesar da medida ser local, deverá afetar toda a cadeia mundial de veículos.

Outro ponto a favor das maçanetas convencionais está na confiabilidade. Uma marca chinesa relatou que 12% dos seus reparos em veículos novos estão ligados a maçaneta eletrônica. Por fim, o custo desse tipo de sistema é supostamente três maior do que uma maçaneta mecânica.
As maçanetas eletrônicas ainda se mostraram vulneráveis em situações de alagamento, uma vez que o sistema pode sofrer curtos-circuitos e impedir o funcionamento. Casos como esses foram relatos em Guangdong em 2024 durante uma temporada de fortes chuvas.
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Fonte: https://quatrorodas.abril.com.br/noticias/recall-carros-eletricos-china-macanetas/

